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O projeto de expansão... -
Leandro Turmena e Maria José Subtil
A fragilidade e a derradeira fase do ciclo fordista de acumulação
capitalista requer reformas que promovam, através de novas
instituições, um “novo
modus operandi
social e econômico do
capitalismo” (SILVA JR, 2002, p. 31). Este “novo
modus operandi
e/ou reestruturação produtiva - acumulação flexível – caracteriza-
se pelo emprego de formas mais racionalizadas de organização do
trabalho e da produção.
Nesta perspectiva, o (neo)liberalismo (re)assume a função da
“nova” ideologia do capital na perspectiva de minimizar a função
do Estado em relação aos gastos sociais e à intervenção junto ao
mercado e maximizar legalmente a lógica produtiva capitalista, com
destaque para o processo acentuado de privatizações.
Em âmbito nacional, a assunção da política neoliberal ocorreu
a partir da década de 1990. Importante enfatizar, a partir de
Nascimento; Silva; Algebaile (2002, pp. 95-96), que o discurso
privatista do neoliberalismo brasileiro
apregoa a superioridade do setor privado sobre o setor
público. Este é caracterizado como ineficiente, ineficaz e
atrasado, ao contrário do setor privado, que é apresentado
como aquele que possui mais responsabilidade na
gestão dos recursos, é ‘empreendedor’ e possuidor de
uma ‘racionalidade’ que o torna mais eficiente e eficaz,
permitindo que seus produtos e serviços tenham maior
qualidade. Essa racionalidade faz do mercado o grande
impulsor do crescimento econômico, sobretudo quando
o setor passa a ‘compreender’ sua responsabilidade
social.
O (re)fortalecimento do sistema capitalista, necessita de
organismos globais que, com poder político e econômico, produzam a
consolidação da nova ordem, sob a mesma hegemonia do capital no
âmbito nacional e global, agora em forma diversa: num novo regime
de acumulação em diferentes formas de organização social.
Neste cenário emergem, de acordo com Lima (2002),
intelectuais coletivos internacionais do capital – os organismos
multilaterais: Comissão econômica para a América Latina e o Caribe
(Cepal), Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e
Cultura (Unesco), Fundo Monetário Internacional (FMI), Grupo Banco
Mundial (BM), Organização Mundial do Comércio (OMC) – com novas