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A escola pública e processos... -
Oséias Santos de Oliveira et al.
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A investigação propiciou uma aproximação entre o momento
vivido pela sociedade e pela educação e que se reflete nas escolas,
conforme constatado na Escola municipal em foco. Assim como o
contexto social se mostra, por vezes, complexo, conturbado e carente
de orientações mais específicas sobre que rumos serão necessários
para que o homem seja considerado capaz de refletir, posicionar-se
criticamente e encontrar alternativas para seus próprios problemas,
também na escola esta situação é evidente e preocupa o fato de que
inúmeras vezes tais posições não são consideradas como relevantes
para a mudança que se espera no âmbito educacional.
Os professores, enquanto agentes de transformação, colocam-
se mais a serviço da manutenção da ordem social vigente, sem
experimentar, na prática, a construção participativa e coletiva do
saber historicamente construído e sem compreender-se no contexto
das políticas determinadas pelo capital. Isto fica explicito no caso
da escola observada, quando seus documentos orientadores não
esclarecem de que forma se dá a participação docente no processo
de construção de sua proposta e de seu processo formativo. A
ausência deste aspecto tão importante no PPP, evidenciada nas atas
de reuniões e no PDE/Escola, revelam uma total desconsideração
com a transformação da escola e sua função social através do
descomprometimento com a formação dos docentes, não só por suas
lideranças, como pelos próprios professores, pois, sem participação,
o resultado é a apatia, a desmotivação e a aceitação passiva de
determinações emanadas de “cima para baixo”, sem que a escola
busque alternativas para a sua própria realidade.
Inúmeros desafios permeiam a educação hoje e ainda que
estes sejam originários de uma sociedade complexa, não podem se
constituir em barreiras para que se encontre na escola um lugar para
sonhar, criar e aprender com qualidade e competência. Dentre estes
desafios para a efetivação de uma educação de qualidade a questão
referente a formação dos profissionais precisa ser constantemente
repensada.
Esta realidade tem confundido a escola e seus profissionais
que, alheios a uma compreensão do papel do Estado na definição
das políticas neoliberais, bem como a organização da escola, ainda
distante de práticas participativas para decisões de caráter político-
pedagógico, não percebem os entraves ao avanço da escola em
uma perspectiva emancipadora o que se reflete na falta de qualquer