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Perséctivas político...
Pâmela F. Oliveira e Carlos H. Carvalho
metade do século
xx
. Seu pensamento foi visto como importante para
Francisco Campos, pois permeia os pressupostos de sua reforma. A
passagem do discurso de Campos a seguir até cita o nome desse
pensador:
Da rotina escolar, por ventura, os tests de intelligencia,
a gradução e a classificação dos alumnos, a noção das
differenças individuais, as varias technicas do ensino,
ainda em tentativa, contituidas de planos de instruçao
individual, os processos da escola activa,
a pedagogia
de Dewey
, as acquisiçoes e os postulados psychologicos
(
campos
, 1930, p. 235).
As relações educacionais apontadas pelo método da escola
nova revelam o pensamento, o argumento de que Dewey se vale
para criticar a escola que objetiva transmitir ideias aos alunos. Como
ele não via por que insistir nesse modelo, propôs então relacionar a
criança com o adulto (pai ou professor) no processo aprendizagem.
A atividade escolar alheia à lógica de transmissora de conhecimento
implicaria inverter consideravelmente o papel do professor, de quem
se esperava agora ciência de que sua função prevê engajamento
numa nova proposta educacional. Os professores tinham de envolver
com os alunos na busca de conhecimento num processo experimental.
Essas novas relações entre docente e discente aparecem assim na
expressão de Francisco Campos:
O ensino não poderá ser, portanto, apenas obra do
professor, de onde se elimina a illusão de que as noções
possam ser adquiridas apenas ouvindo-as e repetindo-
as; somente trabalhando com ellas é que a creança
as adquire, porque, como meios ou instrumentos de
trabalho, não em si por si mesmas, mas somente no e
pelo seu funccionamento, as noções se transformam de
meros symbolos e cegais em conhecimento significativo
e útil. O ensino puramente passivo e receptivo, o ensino
monologo do professor consigo mesmo, será portanto,
não somente inútil como ensino, senão, deseducativo
como processo escolar (
campos
, 1930, p. 22).
Essas ideias ecoaram na convicção de Francisco Campos
de que a criança não é a miniatura de um adulto, manifestadas